À maneira de
Cesário Verde
Há claridade, há tantos risos e alegria,
Que as sombras fogem leves neste belo dia,
Desperta em mim uma vontade de viver.
O céu parece amplo e luminoso,
Cobrindo a cidade antiga e senhorial,
E o casario, num encanto natural,
Reveste tudo com um fulgor radioso.
Gustavo Coruche e
Tiago Lamelas, 11ºA
Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Nos passeios usados e tão recalcados,
Nos bancos solitários e abandonados,
Mal posso esperar pelo amanhecer.
Esta calmaria assusta e encanta.
Nas esquinas escondem-se os pecadores,
Nas luzes, as sombras de jovens amores.
E eu sigo com o olhar de a quem tudo espanta
Matilde Correia e Joana Santos, 11ºA
Nas nossas ruas, ao amanhecer,
Há tanta coisa que me prende e faz pensar;
Caminho devagar, sem poder entender
O que me faz ficar e parar para olhar.
As casas vão acordando na cidade,
Tantas pessoas passam sem sequer olhar;
E eu levo comigo essa funda saudade,
De algo que eu não consigo bem explicar.
Mariana e Carolina Rodrigues, 11º A
Temas intemporais e universais
Amar não é uma tarefa fácil e o amor verdadeiro
é difícil de encontrar.
Amar nem sempre
é algo positivo. Amar alguém, por completo, pode ser desgastante, pode
desgastar o próprio amor. Todos dizem que odiar é uma palavra forte, mas amar
também o é, no entanto, ninguém a usa com o devido cuidado. O amor não é uma
condição permanente. As pessoas mentem e fogem e o amor é esquecido e
substituído pelo ódio.
No entanto, o amor faz parte da condição humana.
Sobrevivemos sem ele, mas sem ele não temos a completa experiência da vida.
Amar dá-nos lições. Ensina-nos a viver. Porém, amar alguém é irracional, pois
não se encontra muitas vezes a razão para amar. Apenas se sente. O tempo
congela e o mundo engana-nos com imagens idealizadas.
Amar é deixarmo-nos ir; é deixar o tempo passar; é
cuidar; é compreender; é confiar. Amor verdadeiro é raro e desafiante. Talvez
um dia o encontre.
Mafalda Barroso,11ºD
As
minhas mãos sempre foram frias, então, quando caio na neve, por um momento
ficam quentes. Se eu ficar aqui deitado, enquanto neva, eventualmente o gelo
cobrirá o meu corpo, mesmo assim, não me levanto, porque daqui até as coisas
mais simples são lindas. Ao expirar, uma névoa escapa-me pelos lábios roxos,
que tremem. De noite, assim, é quase reconfortante.
O meu
nome significa neve, e às vezes sinto-me tão leve como ela, outras vezes,
parece que só consigo ser distante e desaparecer friamente. Ouvi o meu nome,
mas o batimento do meu coração parecia mais alto. Só conseguia fungar quando as
mãos dela me puxaram para cima. Eu suspiro porque, por um momento, sinto que
estou a cair outra vez, mas ouço outra vez: Yuki. O meu nome dito
como um sussurro e os meus dedos a apertar no seu casaco. Noa… eu
respirei de volta, e ela segurou-me até eu conseguir voltar a abrir os olhos:
“Tu caíste... voltaste a escorregar.” Ela sorriu, eu olhei para baixo e,
baixinho, respondi: “sim, desculpa, não vi o gelo...”. Ela só se riu um pouco
com o que disse, então eu sorri de volta: Noa...
não
fazes ideia o quão importantes são momentos como estes, o que significam para
mim. A minha existência parece quase um floco de neve, que não derrete com o
calor das tuas mãos, tal a segurança da tua presença. Esta amizade faz-me
pensar que eu realmente não quero magoar-te com o meu frio. Tens medo de que eu
derreta com o conforto que algo que aquece pode trazer – por isso não te culpo
quando tens receio. Eu também não entendo por que te pões a jeito de te
queimares com o meu frio.
Noa...
não
sei como te agradecer por existires, espero que simplesmente possas continuar,
mesmo após eu desaparecer. Quero que saibas que eu não derreto com as tuas
mãos, mas um floco de neve como eu não consegue suportar tanto amor.
26/10/2026
