Li e gostei! 2026/2027

 


À maneira de Cesário Verde

 


Nas nossas ruas, ao amanhecer,                                      

Há claridade, há tantos risos e alegria,

Que as sombras fogem leves neste belo dia,

Desperta em mim uma vontade de viver.

 

O céu parece amplo e luminoso,

Cobrindo a cidade antiga e senhorial,

E o casario, num encanto natural,

Reveste tudo com um fulgor radioso.

             Gustavo Coruche e Tiago Lamelas, 11ºA

 

Nas nossas ruas, ao anoitecer,

Nos passeios usados e tão recalcados,

Nos bancos solitários e abandonados,

Mal posso esperar pelo amanhecer.

 

Esta calmaria assusta e encanta.

Nas esquinas escondem-se os pecadores,

Nas luzes, as sombras de jovens amores.

E eu sigo com o olhar de a quem tudo espanta

                                                                       Matilde Correia e Joana Santos, 11ºA

 

Nas nossas ruas, ao amanhecer,

Há tanta coisa que me prende e faz pensar;

Caminho devagar, sem poder entender

O que me faz ficar e parar para olhar.

 

As casas vão acordando na cidade,

Tantas pessoas passam sem sequer olhar;

E eu levo comigo essa funda saudade,

De algo que eu não consigo bem explicar.

                                                                 Mariana e Carolina Rodrigues, 11º A

 

Temas intemporais e universais

Amar não é uma tarefa fácil e o amor verdadeiro é difícil de encontrar.

 Amar nem sempre é algo positivo. Amar alguém, por completo, pode ser desgastante, pode desgastar o próprio amor. Todos dizem que odiar é uma palavra forte, mas amar também o é, no entanto, ninguém a usa com o devido cuidado. O amor não é uma condição permanente. As pessoas mentem e fogem e o amor é esquecido e substituído pelo ódio.

No entanto, o amor faz parte da condição humana. Sobrevivemos sem ele, mas sem ele não temos a completa experiência da vida. Amar dá-nos lições. Ensina-nos a viver. Porém, amar alguém é irracional, pois não se encontra muitas vezes a razão para amar. Apenas se sente. O tempo congela e o mundo engana-nos com imagens idealizadas.

Amar é deixarmo-nos ir; é deixar o tempo passar; é cuidar; é compreender; é confiar. Amor verdadeiro é raro e desafiante. Talvez um dia o encontre.

                                                                                                                                   Mafalda Barroso,11ºD

 

As minhas mãos sempre foram frias, então, quando caio na neve, por um momento ficam quentes. Se eu ficar aqui deitado, enquanto neva, eventualmente o gelo cobrirá o meu corpo, mesmo assim, não me levanto, porque daqui até as coisas mais simples são lindas. Ao expirar, uma névoa escapa-me pelos lábios roxos, que tremem. De noite, assim, é quase reconfortante.

O meu nome significa neve, e às vezes sinto-me tão leve como ela, outras vezes, parece que só consigo ser distante e desaparecer friamente. Ouvi o meu nome, mas o batimento do meu coração parecia mais alto. Só conseguia fungar quando as mãos dela me puxaram para cima. Eu suspiro porque, por um momento, sinto que estou a cair outra vez, mas ouço outra vez: Yuki. O meu nome dito como um sussurro e os meus dedos a apertar no seu casaco. Noa… eu respirei de volta, e ela segurou-me até eu conseguir voltar a abrir os olhos: “Tu caíste... voltaste a escorregar.” Ela sorriu, eu olhei para baixo e, baixinho, respondi: “sim, desculpa, não vi o gelo...”. Ela só se riu um pouco com o que disse, então eu sorri de volta: Noa...

não fazes ideia o quão importantes são momentos como estes, o que significam para mim. A minha existência parece quase um floco de neve, que não derrete com o calor das tuas mãos, tal a segurança da tua presença. Esta amizade faz-me pensar que eu realmente não quero magoar-te com o meu frio. Tens medo de que eu derreta com o conforto que algo que aquece pode trazer – por isso não te culpo quando tens receio. Eu também não entendo por que te pões a jeito de te queimares com o meu frio.

 Noa...

não sei como te agradecer por existires, espero que simplesmente possas continuar, mesmo após eu desaparecer. Quero que saibas que eu não derreto com as tuas mãos, mas um floco de neve como eu não consegue suportar tanto amor.

                                                                                                                                    Luana Ramalho,11ºD

26/10/2026